Cinquenta anos de bossa-nova… já faz muito tempo que o estilo musical criado pela alta sociedade carioca vem insistindo em continuar vivo, e o pior de tudo, em auto-proclamar-se representante do Brasil mundo afora, talvez junto com o tropicalismo…
Eu sempre defendi muito os movimentos artisticos populares, mas é preciso enfatizar que a bossa-nova nunca foi popular, sempre foi um produto intelectualizado pela alta sociedade brasileira, cuja intenção nunca foi mostrar o que eles estavam sentindo, mas sim mostrar os malditos acordes que eles usavam, a precupação com as melodias vocais.
Outra das principais caracteristicas da bossa nova é não suar. Imagine um músico que vai se esforçar para não suar, ter que tomar soro e vento fresco.
A música popular antes da bossa-nova foi uma época de ouro na nossa cultura, artistas como Ismael Silva, Noel Rosa, Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim, vários nomes que são importantíssimos na nossa história.
Detalhe que com a chegada da bossa-nova, e mais tarde do tropicalismo, a classe média brasileira acabou com tudo isso, samba virou música para os brancos da classe média, todos embevencidos pela pobreza, com uísque na mão falando que a favela é bonita, a mulata é linda, a umbanda é o que há. Nada mais hipócrita.
Dessa época, destaco Tom Jobim, que foi um grande compositor, mas ouvindo os artistas que serviram de inspiração para o músico (como por exemplo Debussy e Gershwin), vemos que eles não tem aquela auto-piedade embutida, tão característica da música brasileira, eles tem atitude pró-ativa, coisa que a bossa-nova definitivamente não tem.
E hoje, cinquenta anos depois da bossa-nova, vemos uma onda retrô surgindo, jovens escutando bossa com música eletrônica, idolatrando João Gilberto, como se ele fosse algo progressivo na nossa história, não há como negar que o cara toca violão muito bem, mas o própio João Gilberto faz questão de se considerar inatingível, dizendo que jamais irão conseguir fazer o que ele fez, então pra quê ficar empatando as coisas? Morre e vira um Mito logo!
A mpb hoje é decadente por causa desse tipo de pensamento, a nova geração da música brasileira nada mais é do que uma sombra do que foi a outra, não tem revolução, não tem rebeldia. É o filho do fulano, é o filho do beltrano, uma espécie de capitania hereditária musical. E todos com ares de salvadores da cultura nacional, o que é o grande retrocesso.
São todos uns testemunhas de jeová, atendendo às expectativas, seguindo a cartilha e ficando nisso. Ninguém caiu na real de que é preciso trair a expectativa para crescer. Ficando nessa de público universitário, intelectual, alta sociedade, tão fudidos, porque não proporcionam nada realmente novo.
Quando insisto em citar Sepultura, Cansei de Ser Sexy e outros nomes da música brasileira, vale lembrar que não são comparações estéticas, faço isso pra mostrar o que é falso e o que é verdadeiro.
Carmen Miranda até hoje é um ícone brasileiro no exterior, mas era fake, coisa totalmente fabricada pelos estadunidenses, para que o Brasil tivesse outro tipo de imagem enquanto o couro comia já solto por aqui.
Uso esses exemplos porque são artistas que se propuseram a trair a expectativa e meter a cara num som que não é lá muito comum por aqui, se fazem um som voltado pro mercado lá fora consumir, aí já é outra discussão.
Como diria Lobão, essa casta da música popular brasileira, bossa-novista, tropicalista, todos precisam de paudurescência para mudar algo, pois não passam de uns bundões.


















